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domingo, 15 de junho de 2014

Quem nunca desejou pecar sem culpa?

(Texto baseado no Salmo 73 escrito por Asafe)

Há momentos, nos quais tudo o que desejamos é não saber tanto.
A inocência é um escudo tão nobre.
Quem nunca desejou pecar sem culpa?

Asafe olha os perversos, os pecadores, os maus e deseja estar no lugar deles. Por um momento seus pés quase se desviam.
A inveja da liberdade em pecar e se regozijar no pecado toma conta do seu coração.

A questão suscitada pelo grande salmista é a inércia de Deus ante as perversidades dos homens.
Asafe os chama de intocáveis perante um Deus permissivo.

Ora, se o salmista não conhecesse a Deus também seria como Eles. Sem medos, sem dúvidas, sem constrangimentos espirituais, sem Caminho, sem destino. Viver apenas por viver, experimentando tudo quanto à existência pode proporcionar.

Diante dessa crise instaurada, o autor do salmo se indigna contra a inércia de Deus. Como pode o Divino simplesmente não castigar tamanhos devaneios?
A alma se abate, a dor toma conta do coração, a mente questiona e Deus permanece em silêncio.

Por quê?

Os corruptos estão prosperando, se vestem de soberba, violência, arrogância e opressão. Contra Deus eles usam a fé para a prática de perversidades.

O poeta se embrutece, sua carne e seu coração desfalecem.

Até que ele entra no santuário de Deus e entende que o fim destes é exatamente sua inocência diante da realidade de Deus. Eles vivem como num sonho, seus pés não estão firmados em nada, a eles não é concedido o prazer da presença do doce Espírito Santo.

Não há Caminho para ser trilhado, não há conselhos, não há glória, não há relacionamento com os céus, não há confiança e experiência com o Eterno.

Por fim, o que lhes resta é a vaidade de serem perversamente conduzidos por seus desejos carnais.

É neste momento que você reconhece, que a despeito de todas as adversidades, temores e dúvidas, seus pés estão firmados na Rocha Inabalável.
Conquanto seu coração tenha se embrutecido pela maldade e perversidade dos homens, seu espírito é avivado pela presença consoladora do Espírito Santo.


Em epítome, nossa glória é parecermos com Cristo e isso não é conquistado através dos desejos terrenos, mas de um espírito forte confiado na esperança da Glória que há de vir.
Esse é o prazer supremo que o ser humano pode experimentar!!!

Um abraço!

Ulisses Juliano

segunda-feira, 3 de junho de 2013

À IMAGEM DE DEUS

Ele olhou de novo para o que acabara de criar e deu um longo suspiro que terminou em um sorriso de satisfação.

Homem! – exclamou com amor, pestanejando para o boneco de barro deitado em uma espessa grama.

Um milagre. Talvez essa seria a única vez em toda Sua existência que Ele faria algo com tanto orgulho. Em seus pensamentos ocorria aquele ser feito para adorar, ser feliz, brincar. Tinha tantas expectativas, tantos planos em mente. Passando a mão por sobre o que seriam seus cabelos, o mais bonito que poderia existir, pegou sua criação com ternura. Estava tudo tão perfeito que os braços e pernas do boneco pareciam que já estavam articulados, podiam ser movidos. O lindo rosto de barro minuciosamente modelado, foi desenhado por suas próprias mãos. Olhos penetrantes, curiosos, parecidíssimos com olhos de verdade, brilhavam entre cílios milimetricamente intercalados. Fascinado, Deus descobriu sua obra prima. Numa das faces levemente coradas havia um sinal de beleza, e a boca, ligeiramente entreaberta, mostrava uma fileira de dentes de uma cor pura, alva como a neve. Ele tomou o boneco em seus braços com toda delicadeza e ficou ali, em meio a um jardim imenso, olhando, sonhando, admirado.

Com os olhos fechados Ele deu um longo sopro nas narinas daquele boneco de barro em suas mãos. Como que por efeitos especiais aquele boneco foi se transformando em um homem, os olhos virgens piscavam sem parar, a claridade do dia os ofuscavam. Sentiu sua língua se mexer e tentou balbuciar algo mas só saiu gemidos indescritíveis. A mão do Grande Pai pousou-lhe sobre a boca como num gesto de calma.

Com todo cuidado o Senhor o auxiliou a ficar de pé para poder contemplar as maravilhas à sua volta. Um pouco tímido e muito curioso o então boneco apoiado nos ombros dEle colocou-se de pés. Os pássaros cantavam hinos de louvores a Deus, os anjos glorificavam, todo ser vivente olhava admirado para a mais nova criação do Senhor. Parecia que a alegria do Criador estava sendo sentida por toda criatura.

Agora, sorrindo o Papai lhe diz: "Hoje estou te dando a oportunidade de escolher, de ser, de interagir com a história. Sei que você irá passar por muitos problemas, algumas vezes a ansiedade e preocupação vai tomar conta de você. Terá um fardo que será medido e pesado por conseqüência de suas atitudes. Fará inimigos, muitos vão te perseguir e criticar por seus sonhos, mas não desista de nenhum deles, pois quem te fará sonhar sou Eu, sonhar com o Evangelho, com a graça, com Meu Filho Amado, Eu os darei para que sua vida tenha um sentido. Lute com todas as suas forças, viva intensamente aproveitando cada momento. E, jamais se esqueça de mim, sempre que precisares estarei disponível, quero ser além de um Deus para você, eu Sou seu Pai, seu melhor Amigo. Não carregue suas dúvidas e ansiedades sozinho, divida-os comigo, confie em Mim pois Eu te amo e vou fazer de tudo para que você me ame também."

Por,
Ulisses Juliano

quinta-feira, 4 de abril de 2013

DEUS PROTESTA CONTRA A IGREJA



Anás, sumo sacerdote na época de Jesus e João batista, era extremamente populista e politizado, faz um acordo com Roma - que estava interessada na influência que o sumo sacerdote tinha no Estado de Israel, e decide interferir na indicação do sumo sacerdote -, iniciando assim, uma era de “promiscuidade”, ou seja, quando a religião se mistura com o Estado - fato que se repetiria com mais contundência através do imperador Constantino. Portanto, há uma subversão no templo, na igreja, na religião judaica, que era o lugar da adoração, a casa de oração.

Segundo a Lei de Moisés somente os levitas, da linhagem de Arão, poderiam exercer o cargo de sumo sacerdote, João Batista era o legítimo sumo sacerdote, visto que era filho de Zacarias e Izabel, descendentes diretos de Arão. Não obstante, quando tudo isso estava acontecendo, “veio a palavra de Deus a João Batista no deserto.”

Deus mudou de endereço, saiu da igreja e foi para o Deserto.

Como o sumo sacerdote tinha que se vestir com roupas especiais e João Batista não tinha acesso a elas, vestiu-se de couro de camelo. Como, também, não poderia comer o pão da proposição e a carne dos cordeiros sacrificados, João se alimentava de mel silvestre e gafanhotos.

Esse é o protesto de Deus contra a subversão em Sua casa.

No deserto, João Batista começa a anunciar o Reino de Deus. Que é muito maior do que a religião, a igreja, os Estados e os costumes. Essa mensagem é ratificada por Jesus, quando afirma que devemos buscar primeiro o reino dos céus.

João, portanto, vem como sumo sacerdote anunciar o cordeiro pascal que seria imolado em sacrifício por toda a humanidade. Esse era o papel do sumo sacerdote, mas Deus não tinha mais sumo sacerdote no templo, visto que este prestava serviço aos romanos, contudo, Deus protesta contra essa realidade e leva Jesus para ser batizado pelo verdadeiro sumo sacerdote, pela voz do que clama no deserto.

Deus sempre fala, sempre se posiciona, só não o ouve e não enxerga quem não tem o Espírito.

Por,

Ulisses Juliano

segunda-feira, 1 de abril de 2013

POR QUE COISAS RUINS ACONTECEM COMIGO?


Desde pequenos, aprendemos que nossos alicerces estão na Palavra, e esta nos garante que se orarmos Deus irá atender as nossas necessidades.

A questão é que Deus não faz tudo o que pedimos da maneira que desejaríamos.
Anos podem se passar até entendermos a finalidade de Seus propósitos. Em outras ocasiões, Ele simplesmente diz “não” ou “espere”, e em outras ainda, Ele não diz nada. Todo mundo já passou por isso, a questão se resume em POR QUÊ?

Falta de fé? Oração em pecado? Ira de Deus?

Considere isso: O que aconteceria se Deus fizesse exatamente o que nós pedíssemos a cada instante?
Primeiro os crentes não morreriam, nunca teriam dor de dente, nem pedras nos rins, nem miopia. Em segundo lugar, Todos os seus negócios teriam sucesso e seus lares seriam maravilhosos, etc.
Desta forma, as pessoas procurariam relacionamento com Ele a fim de obter benefícios adicionais e não a fim de serem resgatados do pecado. Isso eliminaria, consequentemente, a necessidade da fé, como Paulo escreveu em Romanos 8:24. 
O fato é que Ele não fará exatamente tudo o que desejamos porque o céu não é aqui, é lá. Se nos fosse dado tudo o que queremos aqui, nosso coração se acomodaria com este mundo em vez do próximo. Deus está sempre nos seduzindo e nos afastando deste mundo, atraindo-nos para Ele e Seu reino eterno, onde, certamente, encontraremos o que tão ansiosamente desejamos.

Nossa fé, portanto, não deve estar ancorada em sinais e milagres, mas no Deus soberano do universo. Ele não atuará no exato momento para nos impressionar. Jesus condenou a todos que queriam que Ele se exibisse com milagres. Ele quer que O aceitemos na ausência de prova. Afinal, nós servimos ao Senhor não porque Ele dança conforme a nossa música, mas porque confiamos em Sua direção em nossa vida.

Sem embargo, Ele deve ser – Ele será – o determinador do que é melhor para nós. Não podemos enxergar o futuro. Não conhecemos o plano dEle. Nós só percebemos uma pequena imagem, e mesmo assim não muito clara. Dada esta limitação, parece arrogante dizer a Deus o que fazer e como fazer, ao invés de expôr as nossas necessidades e depois submeter-nos a Seus divinos propósitos.

Cada um de nós está cheio de falhas e deficiências, que o Senhor podia superar com um sussurro. Mas Ele prefere deixar-nos lutar com nossas fraquezas, para revelar Seu próprio poder usando nossas impropriedades e deficiências para manifestar sua graça a outras pessoas que sofrem e padecem necessidades. Deus quer humanos ministrando a humanos, não super homens.

Por,

Ulisses Juliano

sábado, 26 de janeiro de 2013

O MISTÉRIO DO EVANGELHO


“Como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje. E diz Davi: Torne-se-lhes a mesa em laço e armadilha, em tropeço e punição; escureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas. Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes. Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Rm 11:8-11)

Mistério, se relaciona com segredos, com algo escondido ou de significado oculto. É um fenômeno que ocorre e não se tem conhecimento de quais as causas, algo que não se pode explicar. Esse texto nos revela um dos mistérios que provocam em nós um senso de temor e reverência pela grandeza do evangelho. 

Jesus pregou, curou, libertou, salvou, perdoou durante três anos em Israel. Todos os seguiam. Ricos, pobres, religiosos, pessoas de culturas diferentes, religiões diversas, todos o ouviam e o respeitavam, mas os sacerdotes simplesmente não o enxergavam. Israel passou toda sua história esperando o Messias, contudo, quando Ele chegou não o reconheceram. Todos os cultos, os sacrifícios, as leituras, os estudos eram feitos esperando por Jesus, mas eles simplesmente não O enxergaram quando Ele veio.Não faz sentido e Deus não deixou explicações.

Nossa primeira tentação é de acusá-los de ignorantes, de corruptos e de legalistas por não enxergarem o óbvio que estavam diante de seus olhos. Não obstante, Paulo nos revela que não é tão simples assim, pois, “Deus cegou-lhes o entendimento!”

A nação esperou milênios pelo Messias e o próprio Deus impediu-lhes de enxergá-Lo. Não faz sentido quando lemos que o próprio sumo-sacerdote entregou o seu Messias, o seu redentor para ser sacrificado. 

Esse é um mistério que nos leva ao temor e embala-nos na grandeza do evangelho. Esse mistério é marcado por um sacrifício indescritível que nos cala fazendo-nos reverenciar o amor de Deus reconhecendo Sua glória.

O evangelho é um convite ao mistério, não há uma explicação lógica, simplesmente aceitamos pela fé que Deus havia planejado nos amar e não mediu nenhum esforço para demonstrar ao mundo a intensidade do Seu sentimento.

Experimente crer!

Por,
Ulisses Juliano

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A IGREJA DO DIABO (Machado de Assis)

CAPÍTULO I


DE UMA IDÉIA MIRÍFICA

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.
- Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.
Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo: - Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.

II
ENTRE DEUS E O DIABO

Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-no logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor.
- Que me queres tu? perguntou este.
- Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos.
- Explica-te.
- Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes o recebam com os mais divinos coros...
- Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
- Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja. Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não acuseis de dissimulação... Boa idéia, não vos parece?
- Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor,
- Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
- Vai
- Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra?
- Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja?
O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma idéia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje da memória, qualquer coisa que, nesse breve instante da eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:
- Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê- las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda pura...
- Velho retórico! murmurou o Senhor.
- Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o bigode do pecado. Vede o ardor, - a indiferença, ao menos, - com que esse cavalheiro põe em letras públicas os benefícios que liberalmente espalha, - ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou quaisquer dessas matérias necessárias à vida... Mas não quero parecer que me detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma comenda... Vou a negócios mais altos...
Nisto os serafins agitaram as asas pesadas de fastio e sono. Miguel e Gabriel fitaram no Senhor um olhar de súplica, Deus interrompeu o Diabo.
- Tu és vulgar, que é o pior que pode acontecer a um espírito da tua espécie, replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou digas está dito e redito pelos moralistas do mundo. É assunto gasto; e se não tens força, nem originalidade para renovar um assunto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas as minhas legiões mostram no rosto os sinais vivos do tédio que lhes dás. Esse mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu o que ele fez?
- Já vos disse que não.
- Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufrágio, ia salvar-se numa tábua; mas viu um casal de noivos, na flor da vida, que se debatiam já com a morte; deu-lhes a tábua de salvação e mergulhou na eternidade. Nenhum público: a água e o céu por cima. Onde achas aí a franja de algodão?
- Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega.
- Negas esta morte?
- Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los...
- Retórico e sutil! exclamou o Senhor. Vai; vai, funda a tua igreja; chama todas as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vai! vai!
Debalde o Diabo tentou proferir alguma coisa mais. Deus impusera-lhe silêncio; os serafins, a um sinal divino, encheram o céu com as harmonias de seus cânticos. O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as asas, e, como um raio, caiu na terra.


III
A BOA NOVA AOS HOMENS

Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.
- Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil a airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.
Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu"... O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos do Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.
As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloqüência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.
Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no obscuro e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente. E descia, e subia, examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia a fazer pagar a transpiração. Todas as formas de respeito foram condenadas por ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele.
Para rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Com efeito, o amor do próximo era um obstáculo grave à nova instituição. Ele mostrou que essa regra era uma simples invenção de parasitas e negociantes insolváveis; não se devia dar ao próximo senão indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo. Chegou mesmo à demonstração de que a noção de próximo era errada, e citava esta frase de um padre de Nápoles, aquele fino e letrado Galiani, que escrevia a uma das marquesas do antigo regímen: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" A única hipótese em que ele permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar as damas alheias, porque essa espécie de amor tinha a particularidade de não ser outra coisa mais do que o amor do indivíduo a si mesmo. E como alguns discípulos achassem que uma tal explicação, por metafísica, escapava à compreensão das turbas, o Diabo recorreu a um apólogo: - Cem pessoas tomam ações de um banco, para as operações comuns; mas cada acionista não cuida realmente senão nos seus dividendos: é o que acontece aos adúlteros. Este apólogo foi incluído no livro da sabedoria.


IV
FRANJAS E FRANJAS

A previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de veludo acabava em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capa às urtigas e vinham alistar-se na igreja nova. Atrás foram chegando as outras, e o tempo abençoou a instituição. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros.
A descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o produto das drogas socorria os filhos das vítimas. No Cairo achou um perfeito ladrão de camelos, que tapava a cara para ir às mesquitas. O Diabo deu com ele à entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; ele negou, dizendo que ia ali roubar o camelo de um drogomano; roubou-o, com efeito, à vista do Diabo e foi dá-lo de presente a um muezim, que rezou por ele a Alá. O manuscrito beneditino cita muitas outra descobertas extraordinárias, entre elas esta, que desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apóstolos era um calabrês, varão de cinqüenta anos, insigne falsificador de documentos, que possuía uma bela casa na campanha romana, telas, estátuas, biblioteca, etc. Era a fraude em pessoa; chegava a meter-se na cama para não confessar que estava são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações aos criados. Tendo angariado a amizade de um cônego, ia todas as semanas confessar-se com ele, numa capela solitária; e, conquanto não lhe desvendasse nenhuma das suas ações secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se, e ao levantar-se. O Diabo mal pôde crer tamanha aleivosia. Mas não havia duvidar; o caso era verdadeiro.
Não se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de refletir, comparar e concluir do espetáculo presente alguma coisa análoga ao passado. Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse:
- Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.

Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Prestigio - Ediouro - s/d.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

SALVO DE QUE MESMO?


Algumas pessoas não querem ser salvas. Porque isso significa mudar.

E mudar é sempre mais difícil do que continuar o mesmo.
É preciso muita coragem para se encarar no espelho e olhar além do reflexo para encontrar aquele que você deveria ter sido, aquele você que foi destruído por acontecimentos cruéis de vários momentos de sua vida. Eventos que pegaram a trajetória natural de sua vida e a deformaram, alterando-a para algo que te exige tudo o que você têm e um pouco mais, apenas para sobreviver.

No chão do evangelho você encontra o único lugar onde você pode recomeçar e experimentar não os fantasmas do seu passado, mas um caráter novo, uma nova forma de pensar, de enxergar os outros, de experimentar relacionamentos, de tocar e ser tocado, de olhar, de sentir, de renascer...

No evangelho, você pode olhar no espelho e ver a imagem de Cristo refletida.

Pense nisso!

Ulisses Juliano

"Olhais para as coisas segundo a aparência? Se alguém confia de si mesmo que é de Cristo, pense outra vez isto consigo, que, assim como ele é de Cristo, também nós de Cristo somos." (2 Coríntios 10:7)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

ESPÍRITO SANTO, O DEUS QUE HABITA EM MIM

MENSAGEM MINISTRADA NA ASSEMBLÉIA DE DEUS EM SOBRADINHO II

TEMA: "Espírito Santo, O Deus que habita em mim"
TEXTO: (Rm 8:11-18)
Acessem o link onde se pode baixar ou ouvir direto na net. Abraços.

http://www.4shared.com/mp3/vQ7N6FIO/Esprito_Santo_o_Deus_que_habit.html

 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

NASCIDO PARA SER AMADO

Ter a consciência de ser nascido de novo, de ser co-herdeiro com Cristo, de se tornar filho do Eterno, é uma dignidade tão grande que não admite quaisquer vinculações com barganhas, culpas, fobias, religiosidades ou qualquer coisa do gênero.


A melhor honra que um filho pode fazer ao Pai é aceitar que é amado, que é desejado, que é querido nos céus. Se essa for a concepção, há isenção, ou seja, nada pode atrelar este filho a outra realidade que não seja a do evangelho, ao chão da graça, ao amor inefável do Pai.
A primeira virtude de um filho é a dependência ao seu Criador, ao seu Pai eterno. Esta dependência precisa ser ensejada de relacionamento íntimo, tempo dedicado, coração sincero e ao mesmo tempo uma vontade imensa de se entregar, de se doar, de partilhar todo esse amor com o qual é sustentado. Essa é a herança, a consciência e a atitude de um verdadeiro adorador.

Se for assim, não há barreiras para se experimentar uma amor absurdamente incalculável.

Nele, que me amou mesmo antes da minha existência.

Ulisses Juliano

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O AMANTE DA MINHA ALMA


“Eu o sustentaria com o trigo mais fino, e o saciaria com o mel que escorre da rocha.” (Sl 81:16)

Asafe é o autor desse salmo, ele me fez perceber a excelência do amor de Deus quando expôs com beleza e simplicidade, como que fazendo cócegas em minha alma, me revelando que esse amor vai além do tempo, pois, “os olhos do Eterno viram meu corpo ainda informe. Os dias que Ele me deu para viver foram todos escritos no Seu livro quando ainda nenhum deles existia.”1

Ele é Senhor de vivos e de mortos, que sou eu para que seja tão amado e desejado nos céus? Me assusto sempre com o amor de Deus. O amor de Deus é uma das poucas realidades que me assustam. E amo esses sustos da graça! Meu Amante é paciente, Ele espera com calma, não se apressa, pois, sabe que seu carinho irá me constranger, de modo que está sempre pronto para manifestar seu amor, agüentando tudo, mesmo as minhas loucuras e devassidões. O Eterno se entrega em amor, em excesso, sem receios, sem limites, sem sujeição ao tempo. Ele apenas me ama e insistem em amar, sem preconceitos ou algum tipo de intolerância, visto que, Ele apenas espera e com calma e mansidão semeando em meu coração a graça da paz que excede qualquer entendimento, me constrangendo a mudar, me moldando a ser melhor.

Dia após dia Suas misericórdias se renovam com generosidade, dando a mim o melhor de Si. O amante da minha alma não faz alardes, não gosta de espetáculos, mas está sempre me surpreendendo graciosamente com sua presença inefável. Ele me revela um amor imensurável, não há lógica, não há barganhas, não há truques, não há testes, de modo que, Seu amor é algo tão profundo e marcante que ignora qualquer recompensa, não há nada que eu possa oferecer, não há um equilíbrio, Ele me ama a ponto de oferecer a própria vida para que eu não sofra. A vontade de Deus nem sempre é a mais gostosa ou a mais fácil de se realizar, entretanto, é a que definitivamente é melhor e me faz bem. Estou orando para que meu Amante seja tudo em mim, para que Ele e não o meu “eu” prevaleça. A cada dia estou me entregando, me libertando de mim.

Não há nada em mim de extraordinário, contudo, essa minha vulnerabilidade expõe que minha estrutura é o pó e que minha natureza é caída. Mesmo assim, a graça do Eterno me constrange a viver e se alimentar da esperança nEle, visto que, Ele é quem supre as minhas necessidades me ensinando como viver pela fé de se estar fundamentado no chão do evangelho, sob a Rocha firme, infalível, imutável, inabalável que me sustém mesmo diante das mais adversas circunstâncias. O apóstolo Paulo assegurou certa vez que “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!”2

O Autor de todas as coisas me ama e me deseja. Ainda há tanto a aprender, há tantos mistérios que Ele irá me revelar, há tanto amor para experimentar que eu simplesmente quero ir além da superficialidade e me entregar totalmente a tal ponto de não ser mais eu quem viva, mas que Ele viva através de mim. Minha vocação é ser tal qual a quem tanto me amou, me ama e eternamente me amará, ao Amante da minha alma.

Por, Ulisses Juliano

1. (Sl 139:16)
2. (Rm 8:38-39)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

DEUS É MUITO CHATO


“Ulisses, Deus é muito chato e pronto!”
Foi assim que uma jovem expressou seu relacionamento com Deus para mim, e quando comecei a conversar com ela, percebi que o deus dela era muito chato mesmo.

Geralmente, pessoas assim são ignoradas pela igreja por não se encaixarem no perfil de “supercrentes” que lhes é exigido e experimentam o tédio espiritual que por vezes as levam a esfriarem seus relacionamentos com o Pai, é nesse momento que Deus se torna chato e distante. Pessoas chegam a essa conclusão quando não têm nenhuma motivação para orar, para exercer a fé, se sentem derrotadas, exaustas e se acham totalmente indignas de receber o amor de Deus ou pior, não se importam mais se são ou não amadas por Ele. Você conhece várias pessoas que estão nessa situação, talvez você seja essa pessoa.
Por vezes experimentamos o cansaço espiritual ao esperarmos que as coisas mudem ou que os nossos desejos e projetos se realizem de acordo com nossos intentos, contudo, é preciso parar de tentar negociar com Deus e que retiremos as vendas que a religião impôs à nossa espiritualidade e experimentemos de fato as boas-novas que Jesus apregoou a tanto tempo e que para a maioria dos cristãos não parecem nada com boas notícias.

Conheço várias pessoas que ministram, que intercedem, ou que possuem dons maravilhosos, contudo, algumas delas têm suas vidas vazias, não há significado, vivem em prol de algum projeto da igreja, são apenas folhas ao vento, sem um destino certo e por isso se agarram a qualquer nova circunstância para se satisfazerem e alimentarem sua sede de auto-afirmação ou utilidade.

Nesse ponto experimentamos “exercícios espirituais”, para que possamos “evoluir” e nos tornarmos um “supercristão”. Orações infindáveis, jejuns perigosos, sacrifícios, propósitos absurdos e várias outras formas de se "exercitar a fé", o problema é que esses exercícios, em sua maioria são negações de nosso ser, ou seja, deixamos de viver nossa realidade para moldarmos uma espécie superior de crente, um ser perfeito, que não peque, que não falhe, tudo com ênfase no “eu”, nas nossas potencialidades. Daí vive-se a loucura de atrair os olhos de Deus, de tentar provar de todas as formas que somos merecedores, que temos algum mérito, que podemos ser melhores do que nossos semelhantes. Nesse momento, as nossas fraquezas são escondidas por trás das máscaras que começamos a utilizar, a culpa vem como conseqüência e naturalmente começamos a nos afastar de Deus, a quem queríamos tanto agradar e impressionar.

Neste momento, quase que ouço o Espírito Santo sussurrar “A minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”1
O que isso significa? Deus não espera que nos tornemos perfeitos, pelo contrário, Ele tem certeza que iremos falhar, que por vezes pensaremos em desistir e retroceder e que iremos cair repetidamente, contudo, não precisamos nos esconder atrás de máscaras de perfeições, pois, o que é feio em nós é o que atrai a Deus. Por nossas fraquezas e quedas foi que Ele morreu, justamente por saber que nós não temos nada a oferecer, portanto, Deus não espera que nós tenhamos sucesso, Ele opera o sucesso em nós através da suas misericórdias que se renovam a cada manhã, para que não sejamos como éramos, mas para que experimentemos a Sua vontade e sejamos sustentados pelo seu perdão.

O que quero dizer com tudo isso? Ora, pare de esperar aprovação de Deus ou da igreja para ter um relacionamento íntimo com o Eterno, apenas vá, se entregue com todas as suas imperfeições, se apresente como um vaso de barro passível de quebras, mas também sujeito às modelagens do Oleiro.

Experimentar a Deus é um misto de amor e de uma paz que excede qualquer entendimento. Quando lhe faltar palavras, sua oração deve ser para que a fé não esmoreça. Peça apenas que Deus não afaste de você Sua presença, pois, experimentar Deus na vida é inseri-Lo em sua existência, em seu cotidiano, em seus relacionamentos, em seus porquês. Deus é teimoso ao extremo. Ele simplesmente insiste em amar, e é justamente Sua insistência de se doar, de se permitir ser Pai, de se fazer presente que cativa o ser humano diariamente. O Seu amor nos constrange dia após dia a permanecer de pé e avante. Várias circunstâncias, complexidades, necessidades, dezenas de opções para que você tome atalhos, não obstante, caminhe confiadamente no seu Guia e saiba que Ele está trabalhando mesmo sem que você não perceba.

Alguns podem estar se perguntando: "Ulisses, entendi tudo o que você falou, mas eu estou distante de Deus, será que Ele ainda me ama?" A resposta para esta indagação é simples, e foi Davi quem afirmou: “entregue seu caminho ao Senhor, confie nEle e o mais Ele o fará.”2

Quando você parar com os exercícios espirituais malucos e deixar de vez de tentar impressionar a Deus assumindo sua condição e permitindo-se ser amado pelo Pai, você finalmente experimentará o Deus dos evangelhos, e este com certeza absoluta não é chato, pois, Ele te aceita como você é e não como deveria ser. Deus convida todos a experimentar o alívio da graça para quem está cansado e oprimido.
É um convite, experimente!

Por, Ulisses Juliano.


1: 2Co 12:9
2: Sl 37:5

terça-feira, 9 de novembro de 2010

DEUS NÃO OUVE NOSSAS ORAÇÕES


Deus revela a Isaías um segredo: EU NÃO OUÇO A ORAÇÃO QUE O POVO ESTÁ FAZENDO! Essa informação é aterradora e ao profeta o Eterno esclareceu o porque de certas orações não são ouvidas e nunca serem atendidas.

Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados.Mesmo neste estado, ainda me procuram dia a dia, têm prazer em saber os meus caminhos; como povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus, perguntam-me pelos direitos da justiça, têm prazer em se chegar a Deus, dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam. Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável. Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nãopretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse. 1

Tinha toda uma galera em Israel que orava exatamente como a maioria de nós - incluindo a mim - oramos hoje. Deus dá o recado através de Isaías e deixa bem claro que conquanto todos aqueles que oram e jejuam naquelas circunstâncias, Ele não tem a mínima intenção de respondê-los e nem de ouvi-los.
O pessoal dá uma cartada em Deus: "Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta?"
Não obstante Deus destaca que esse amor tem que ser muito mais do que dar esmolas, veja você: "que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?"
Deus deixa claro que o amor tem que ser ativo, atuante, participativo. Temos que ir naqueles que estão sendo vítimas da impiedade e libertá-los, desfazer as algemas que prendem e despedaçar o jugo que inclusive nós mesmo colocamos sobre os outros. Nossas atitudes condizem com nossas palavras, com nossas orações? Se nossas orações não corresponderem nossas atitudes em relação ao outro, nenhuma palavra será atendida.

Carlos Bregantim escreveu certa vez "Gosto dos que dizem: Estou orando por você, mas, prefiro os que vão alem e chegam perto e dizem: Vim pra ficar com você."
Ora, o cristão deve tentar usar todos os eventos de sua vida diária para transformar os que estão à sua volta. Contudo, sabemos que isso só se dá por amor, mas também sei que estar no evangelho é experimentar encontros diários com contradições envolvido na fé que move qualquer montanha.

Sua vida com Deus se inicia com oração. Quanto mais tempo você passar com Cristo, mais você agirá como Ele. As pessoas são importantes para Jesus, a compaixão dele começarão a se manifestar através de você. Você pode desfrutar de Deus, pois foi para isto que Ele o criou. Você sentirá a companhia, o carinho, o cuidado, o zelo, as misericórdias e o amor dEle. Ele o convida para uma vida mais abundante.
Qual nossa verdadeira motivação por trás de nossas orações?
O que fica claro nisso tudo é que na oração é melhor ter um coração sem palavras do que palavras sem coração.


Assim é "porque a boca do Senhor o disse!"

Por, Ulisses Juliano


1. Isaías 58

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

RESPOSTA A STEPHEN HAWKING SOBRE DEUS E A CRIAÇÃO DO UNIVERSO


"Stephen Hawking descarta papel de Deus na criação do Universo"

Esta foi e será a notícia da semana e do mês, até acontecer algo que chame mais atenção. A questão é que o cientista britânico está errado. Simples assim. E digo errado porque nada nem ninguém tem o poder de criar, este poder só Deus detém, portanto, Lavosier estava certo ao afirmar que "nada se cria, tudo se transforma." E digo isso com a convicção de que houve o "big-bang", entretanto, antes do mesmo houve uma participação interventiva de Deus, pois, é impossível que o nada possa criar, na verdade o Universo muda, adapta-se, transforma-se.

Em The Great Design ("O Grande Projeto", em tradução livre), que teve trechos publicados nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Times, Hawking afirma que "devido à existência de uma lei como a da gravidade, o Universo pode e vai criar a si mesmo do nada". Entretanto, em seu livro Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988, o cientista sugere que a idéia de uma criação divina seria compatível com uma compreensão científica do Universo, ele chega a enfatizar que "se nós descobrirmos uma teoria completa, será o triunfo definitivo da razão humana - pois então nós deveremos conhecer a mente de Deus".

O que significa isso tudo?
É simples, o homem deseja ser Deus. É um vírus que tomou a Lúcifer e foi transmitido aos seres humanos, a cada dia queremos ter o poder, poder para prescrutar tudo, compreender, descobrir, criar, destruir, revelar, dissecar, observar, interferir, provar... Desejamos ser eternos, queremos ter o passado e o futuro nas mãos, conhecedores do bem e do mal, essa é a síndrome de Lúcifer. Entretanto, somos tão símplices que para exemplificar utilizo o oxigênio, sem o qual, todos sabemos que não se vive, entretanto, é também aquele que nos mata, visto que é pela exposição a ele que nossas células acabam por envelhecer e morrer.

Poderia falar aqui sobre a teoria das cordas, a física quântica, a expansão do cosmos, os buracos negros e tantas outras concepções físicas, entretanto, quero apenas salientar que todos os teóricos físicos respeitados acreditam que a equação do Universo haverá de ser definida numa só e única realidade, eles denominam essa equação de “a teoria de tudo”.

O apóstolo João afirma que "no princípio era o Verbo; e Verbo estava com Deus; e o Verbo era Deus.Ele estava no principio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele."a

O que isso prova? Ora, antes que tudo viesse a existir, só havia Deus. No princípio só havia a Presença de Deus em toda parte, em toda imensidão do infinito. Jesus é a “teoria de tudo”! Ele é a resposta, a chave, a pedra fundamental, tudo está nEle, inclusive a existência.

Hawking não é meu inimigo ou dos cristãos. Todavia, lamento que a ele foi oferecido o "fruto proibido" e ele comeu e se lambuzou. Contudo, Hawking nunca esteve em briga com Deus. Apenas, como um homem de ciência, deseja entender. Os cristãos, que tentam fazer da Bíblia um manual de “ciências”, e não vivem tal como deveriam viver, ou seja, pela fé, cometem o crime de tornar anátema aquilo que não entendem e nem tem cabeça isenta para refletir em paz a fim de compreender.
Jesus disse certa vez que seu Pai trabalhava até aquela hora, ou seja, Deus não só é O criador, como também continua criando eternamente, afinal, de eternidade à eternidade Ele É.

a João 1:1-2 ; Colocensses 1:16-17

Por, Ulisses Juliano

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A FÉ QUE NÃO MOVE MONTANHAS


Muito maior do que operar milagres, mover montanhas, aumentar a conta bancária, proporcionar maravilhas e curas. Deus nos convida a desenvolver uma fé na qual nós possamos nos sustentar. Uma fé que independente das intempéries da vida, não retrocede. Uma fé que nos leva através dos picos e dos vales e nos mostra a completude do evangelho. A fé da qual estou falando é superior a fé que vê vida na morte, provisão na necessidade, água no deserto. Esta fé não busca conquista, ao contrário, ela faz com que você se entregue, se doe, se renda, que se permita ser guiado pelo Espírito Santo.

Jesus avisou que há muitas pessoas que o seguem por causa das manifestações espirituais de curas, de milagres e de maravilhas, em determinado momento ele até se indignou porque a mensagem do evangelho é que o maior milagre é uma vida transformada. É preciso entender que ter fé, quando não há milagres, é um milagre maior do que ter fé para operar milagres.

A fé é o alimento que nutri e fortalece o nosso espírito. Ela aproxima o homem de Deus. A fé não retrocede porque seguir Jesus é um caminho sem volta. Avançar é a única alternativa viável, porque "esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus".

Compare sua vida com o evangelho e veja se há essa fé em você. Abraão experimentou essa fé, ele apenas confiava que onde quer que estivesse Deus o abençoaria. Isto certamente não torna a existência mais fácil, mas com certeza conduz ao lugar onde todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Afinal, eu não sei, mas Ele sabe por mim; eu não vejo, mas Ele vê por mim.

Esse tipo de fé não irá mover montanhas, mas mudará sua vida!


Confira na sua bíblia: Hebreus 10:32-39.

Ulisses Juliano

segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUANDO DEUS NÃO FAZ SENTIDO


Muitas vezes pensamos que somos fortes, acreditamos na nossa popularidade e confiamos em nós mesmos. Percebemos então que somos superiores e que nossos sonhos são singulares. Sorrimos e felicitamos a nossa bela vida.
Repentinamente, surge um problema, uma dificuldade, algo fora de nosso roteiro.

Os nossos sonhos agora parecem inatingíveis, as lágrimas ofuscam nossos risos e entendemos que não somos tão fortes como queríamos.
Em muitos momentos de nossas vidas não queremos olhar para frente, simplesmente por medo de não alcançar o almejado. Olhamos para os céus e perguntamos com o coração cortado se Deus se esqueceu de nós, ás vezes Ele não responde e, nós não entendemos, queremos de todas as formas mudar a nossa situação.
Não aceito Senhor!
Não quero isto para mim!
Acabe com este meu sofrimento!
Cadê minhas promessas? E as profecias? O que faço com elas?
Lágrimas.

Paulo. Um homem culto e influente. Detinha o respeito e admiração dos líderes de Israel. Cumpridor da lei e leal ao seu Deus, cidadão romano, fluente em vários idiomas e bem quisto em toda a sociedade. Em suas mãos uma carta branca para prender ou matar.

Uma luz, uma queda, e o cavalo não têm mais seu cavaleiro. Três dias em completa escuridão.
Aqueles a quem antes ele perseguia agora oravam com e por ele.
Nesses três dias Paulo relembra cada palavra, e tenta discernir o que presenciou naqueles instantes em que ele percebeu que estava matando os filhos de Deus, os escolhidos.
Uma oração e Ananias observa a alegria irradiar dos olhos de Paulo, ele estava vendo novamente.
“Vou pregar, vou levar o evangelho a todas nações, vidas vão ser salvas e restauradas. Deus vai comigo, Ele me prometeu ao me escolher!”
Um mês depois Paulo estava preso. Vendo o sol raiar por entre as barras de ferro Paulo não entendia. Agora ele era um pária, vivia como um fora da lei, fugitivo e perseguido em várias localidades. Deus mais uma vez não estava fazendo nenhum sentido.
Será?

Paulo se tornou o maior missionário de todos os tempos. Suas cartas se tornaram o credo do cristianismo, sendo que as mais profundas ele escreveu em celas vazias, úmidas e sombrias. No meio da solidão ele aprendeu que só o Senhor é Deus. Na prisão Paulo percebeu que não era tão forte assim, sentiu na pele que suas influências não podiam fazer nada por ele.
Assim ele mudou seus planos, alterou seus sonhos e reconheceu a sua total dependência da graça de Deus, “quando estou fraco, então estou forte!”.

Deus não precisa ser compreendido. Ele não vive dentro de uma lógica física de ação e reação ou qualquer racionalização do gênero. Nossos preceitos e padrões não O comportam. Tudo o que sabemos é que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que O amam”.
Portanto, viva Sua bondade, viva o evangelho e não se perca procurando sentido naquilo que está alicerçado no Eterno.
Se permita ser guiado, ser amado incondicionalmente.

Ulisses Juliano